10 notas para pensar

1) Estão querendo acabar com o (a) – nunca sei se é feminino ou masculino – trema. Agora querem que a gente fale cinKenta, linGUiça, etc. Daqui a pouco vão banir o Ç também. E a pergunta que não quer calar: por que não excluem o TU e o VÓS? A bíblia ficaria mais compreensível.

2) Dizem que é errado falar “mais grande”, “mais pequeno”, “mais maior”, “mais menor”, etc. Mas ninguém reclama quando, ao referir-se a um deputado, fala-se que “vossa senhoria é mais ladrão do que Fulano.” Sinceramente, não vejo a menor diferença com as locuções acima.

3) O Millôr, em seus artigos pra Veja, tem o costume de ironizar os intelectuais do nosso país, chamando-os de “inteleqtuais”. Não entendo. Faria mais sentido chamá-los de emtelequitoais.

4) Quem foi o filho-da-mãe que deixou o Bush ganhar no War quando criança? Ele cresceu e agora tá mal acostumado achando que pode ir entrando nos territórios alheios com um simples rolar de dados.

5) Ainda não assisti Tropa de Elite. O emule tá muito lerdo nesses dias.

6) A bossa-nova é patrimônio cultural da cidade do Rio de Janeiro. Merecido. Mas agora eu me pergunto: Sampa é bossa-nova?

7) A porcaria do horário de verão chegou. E nunca consegui entendê-lo. O seu objetivo é a economia de energia, certo? 18h estaria escuro, logo, acenderíamos as luzes no horário normal. Mas no horário de verão, não. Acendemos depois das 19h e olhe lá. Mas, ao acordamos às 6h da manhã, tá escuro do mesmo jeito, ou seja precisamos acender as luzes (no horário de verão o que não ocorria no horário de inverno). Ou seja, a hora em que estamos economizando a luz não adiantam de nada, uma vez que gastamos uma outra hora do dia. Entenderam? Pra quê então, essa porcaria de horário de verão?

8) Depois de ter aula específica de geografia, fiquei sabendo que o México não é só o país dos sombreros, piñatas, tortillas, chilli e RBD. É dos chiapas também.

9) Agora eu posso dizer que o Dunga é treinador de verdade. Depois de ter tratado com grosseria um repórter da ESPN Brasil numa coletiva de imprensa, ele mostrou estar apto para estar no mesmo clubinho de Vanderlei Luxemburgo.

10) Finalmente entendi porquê o Felipão meteu aquele soco no zagueiro da Sérvia. Depois de ter visto um jogo de rúgbi da seleção de Portugal, tive vontade de fazer o mesmo.

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Xampu

Putz! É impossível postar todos os dias com essa praga de vestibular segurando nossos calcanhares.
Sinto muito a demora nas atualizações, mas eu prometo que após o dia 09/01/2008 (eu sei que tá meio longe, mas o que eu posso fazer, não é mesmo?) teremos atualizações TODOS os dias, ok?
E aqui vai mais um texto bacana.
Abraços!

Xampu

Era pai de família. Careca, baixinho, gordo. Já devia lá ter seus 50 anos. Casado há 25. Três filhos já todos criados. Bem criados, por sinal.

A mais velha morava há pouco tempo nos EUA. A última notícia que deu pra família fora a de que iria se casar com um americano mais ilegal do que ela. O do meio era formado em Direito. Mas nunca passava nos concursos públicos. “A Internet não deixa” dizia ele quando questionado de seus sucessivos fracassos. O mais novo, repetira, pelo menos, cada série do Ensino Médio uma vez cada. Certo dia (isso aconteceu enquanto a mais velha ainda morava na casa) chegara em casa em tom sóbrio (coisa rara). Fitou o pai fixamente nos olhos e disse sério:

– Engravidei a Rafa.

A reação foi até melhor do que ele esperava: o pai teve um infarto, a mãe uma síncope, o do meio soltou um belo de um palavrão e a mais velha deixou o copo de água cair no chão.

Ia me esquecendo de falar da mãe. Boa mulher, boa mãe. Daquelas que adoram juntar a família na mesa num domingão. Dona-de-casa. Vivia pelos filhos e pelo marido.

Como vê, era uma família normal, que apesar de tantos problemas, eram felizes e unidos. Mas uma bomba caiu em cima daquela casa certa noite. O pai chegou no horário de costume. Trabalhava como revendedor de uma empresa de cosméticos. Beijou a mulher e pediu para que a família reunisse na sala. Silêncio. Então, o senhor careca e baixo se pronunciou:

– Estou mudando pro Tibet.

A mãe e os filhos se entreolharam. E olharam para o pai. Ele sério, em pose quase militar. Começaram a rir:

– Que história é essa, Alfredo?

– Não posso viver mais neste mundo!

A família se preocupou. Ele era brincalhão, sim. Mas péssimo mentiroso. Não havia aquele sorrisinho no canto da boca que sempre aparecia quando ele fingia. Estava sério, impávido, compenetrado.

– Por que isso, Alfredo? – desesperou-se a mulher.

Ele contou que naquele dia foi o lançamento da nova linha de produtos da empresa. E ele ficou encarregado de vender os xampus.

– Xampus, Aurora! Xampus! – ele berrava – Eu não tenho sequer um fio de cabelo, Aurora! Como posso vender xampus?!

Viraria monge. Estava decidido. Lá ele poderia ser careca sem constrangimento. A família poderia ir com ele. Mas que ficassem carecas também!

Duti

Olá pessoal! Meu nome é Pedro Costa, futuro jornalista e blogueiro frustrado. Já devo ter mais de 5 mil blogs por aí espalhados mas por causa de problemas técnicos nos sites hospedeiros, nunca consigo ir além do 3° post. Vamos ver se aqui, eu ficarei livre dessas falhas tecnológicas.
Ok, sem mais rodeios, explicarei a proposta deste blog. Ele tem a única exclusiva função de divulgar meus textos. Vez ou outra, quando a falta de inspiração vier me assombrar, postarei aqui notícias ou comentário sobre qualquer tema. Estou pensando em reservar um dia especifíco na semana para isso.
Veremos.
Agora, para inaugurar aqui, trago-lhes um texto que acabei de fazer. Espero que gostem!
Abraços!

Duti

O Machado, o Mineirim e eu estávamos sentados na nossa já tradicionalíssima mesa no Bar Budo. Tomávamos cerveja preta e petiscávamos pasteizinhos de angu. A viola caipira dedilhava “Rancho Fundo” e embalava as prosas do Mineirim de Cordisburgo.

O ambiente tinha clima total de descontração e para aumentar tal clima, de cerveja preta e gracejos, o Mineirim resolveu contar o “causo” do Duti.

Para quem não sabe, Duti é amigo velhaco da turma. Um pernambucano filho de holandeses, que era um cabra beberrão arretado, visse? E tinha uma famosa história, que era conhecida por todos no Bar Budo. Aliás, essa é uma característica do Bar Budo. Todos que lá freqüentam sabe da história de todo mundo e por mais que já escutassem todos os dias os mesmos casos, riam como se fosse a primeira vez. Inclusive dos próprios.

Mas vamos ao “causo” do Duti. Ocorreu nos tempos de mocidade dele, quando ele cursava arquitetura em Amsterdã. E já viu, né? Antes de entrar na faculdade já era beberrão, quando entrou lá… Aí que desembestou de vez. Não tinha um dia que ele não passava em um pub pós-aula para lavar a garganta. Mas teve um dia que ele bebeu além da conta. Mas ainda conseguia andar, meio capenga, mas andava.

Chegou em casa e tentou abrir a porta. Mas a porcaria da chave num entrava. Resmungou qualquer palavrão em holandês ou qualquer tipo de língua primitiva dos bárbaros, e começou a chutar a porta. E nada dela abrir. Deu alguns passos para trás e de repente, acelerou uma carreira e a derrubou. Ficou caído no chão por alguns segundos, alevantou-se e ficou encarando um quadro de uma mulher nua na parede da sala. Fitou o quadro por alguns instantes com ar de desconfiado e balbuciou “Olá broto… te conheço de algum lugar?”. E caiu na gargalhada.

Adentrou-se na casa chamando pelo cachorro. E nenhuma resposta do bicho. “Onde foi que esse pulguento se meteu?”, resmungou o pinguço. “Deve ter ido pro porão”, concluiu. Detalhe: a casa não tinha porão. Voltou pra sala, sentou-se no sofá e acomodou-se nele até cair em sono profundo.

– Mas que @!#!$#@%@#$@@!#!@* é essa? – vociferou um homem com cara de poucos amigos.

(*) Palavrão em holandês totalmente impossível de ser reproduzido devido à incompetência do autor.

Duti abriu apenas um olho, riu meia-boca e falou meio enxacoco:

– Senta aí, Galego! Abra uma cervejinha pra gente que to só descansando aqui. – e voltou a dormir.

O homem pegou o Duti pelo orobó, que nem se faz com galinha, e esbravejou:

– Vai embora vagabundo, se não te chamo a polícia! – e largou o bebum, derrubando-o no chão. Duti, já acordado, obviamente, passava a mão no pescoço marcado pelas mãos do cidadão enfurecido lá.

– Que isso, rapaz? Eu to na minha casa! Quem é você? – indagou Duti, sem saber de nada.

– Que casa sua o quê! Presta atenção, rapaz! Você num é o brasileiro que mora no 302 com um cachorro desgraçado que sempre mija nas minhas plantas?

Duti fez que sim com a cabeça.

– Pois então, vagabundo! Aqui é o 301! – gritou o homem, apontando pra porta derrubada no chão com a plaquinha 301.

Duti, envergonhado, mas ainda grogue, saiu e foi pra casa. No dia seguinte pagou o conserto da porta.

– A melhor parte é a do “senta aí Galego!” – ria o Machadão.

– Imagino aquele engrol grave, cambaleante, feito marruás em anhanhonhacanhuva sem estatura de regra, pedindo para que o alemão-rana bebesse cerveja junto com ele! – comentou entre gargalhadas o Mineirim.

Machadão e eu nos entreolhamos. Depois, olhamos pro cordisburguês:

– Vamos embora, Mineirim. Depois desse seu comentário, tenho certeza que você bebeu demais e vai acabar como o Duti. Sou seu vizinho e não to nem um pouco a fim de ter minha porta arrombada!

E levei o Mineirim nas costas depois da agradabilíssima noite, pra variar, no Bar Budo.