Xampu

Putz! É impossível postar todos os dias com essa praga de vestibular segurando nossos calcanhares.
Sinto muito a demora nas atualizações, mas eu prometo que após o dia 09/01/2008 (eu sei que tá meio longe, mas o que eu posso fazer, não é mesmo?) teremos atualizações TODOS os dias, ok?
E aqui vai mais um texto bacana.
Abraços!

Xampu

Era pai de família. Careca, baixinho, gordo. Já devia lá ter seus 50 anos. Casado há 25. Três filhos já todos criados. Bem criados, por sinal.

A mais velha morava há pouco tempo nos EUA. A última notícia que deu pra família fora a de que iria se casar com um americano mais ilegal do que ela. O do meio era formado em Direito. Mas nunca passava nos concursos públicos. “A Internet não deixa” dizia ele quando questionado de seus sucessivos fracassos. O mais novo, repetira, pelo menos, cada série do Ensino Médio uma vez cada. Certo dia (isso aconteceu enquanto a mais velha ainda morava na casa) chegara em casa em tom sóbrio (coisa rara). Fitou o pai fixamente nos olhos e disse sério:

– Engravidei a Rafa.

A reação foi até melhor do que ele esperava: o pai teve um infarto, a mãe uma síncope, o do meio soltou um belo de um palavrão e a mais velha deixou o copo de água cair no chão.

Ia me esquecendo de falar da mãe. Boa mulher, boa mãe. Daquelas que adoram juntar a família na mesa num domingão. Dona-de-casa. Vivia pelos filhos e pelo marido.

Como vê, era uma família normal, que apesar de tantos problemas, eram felizes e unidos. Mas uma bomba caiu em cima daquela casa certa noite. O pai chegou no horário de costume. Trabalhava como revendedor de uma empresa de cosméticos. Beijou a mulher e pediu para que a família reunisse na sala. Silêncio. Então, o senhor careca e baixo se pronunciou:

– Estou mudando pro Tibet.

A mãe e os filhos se entreolharam. E olharam para o pai. Ele sério, em pose quase militar. Começaram a rir:

– Que história é essa, Alfredo?

– Não posso viver mais neste mundo!

A família se preocupou. Ele era brincalhão, sim. Mas péssimo mentiroso. Não havia aquele sorrisinho no canto da boca que sempre aparecia quando ele fingia. Estava sério, impávido, compenetrado.

– Por que isso, Alfredo? – desesperou-se a mulher.

Ele contou que naquele dia foi o lançamento da nova linha de produtos da empresa. E ele ficou encarregado de vender os xampus.

– Xampus, Aurora! Xampus! – ele berrava – Eu não tenho sequer um fio de cabelo, Aurora! Como posso vender xampus?!

Viraria monge. Estava decidido. Lá ele poderia ser careca sem constrangimento. A família poderia ir com ele. Mas que ficassem carecas também!

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