Teatrinho

Breve ato (quase) romântico

Cenário: saguão do aeroporto

(João Vítor e Helena entram em cena)

João Vítor vai caminhando à sala de desembarque com duas malas na mão quando encontra-se com Helena que, abrindo os braços, diz:

– Amor! Boa viagem!

Os dois se abraçam e se beijam.

Neste momento, urge uma voz feminina do fundo do saguão:

(Entra em cena Brisa)

– João?! – Brisa anda em direção a João com os braços na cintura e com expressão perplexa.

João assusta. Helena olha para João e depois olha para Brisa e esta olha para João e encara Helena. João abre a boca, mas Helena que diz primeiro:

– Quem é essazinha, João? – Helena aponta para Brisa e fica olhando com o rabo do olho para João.

João novamente abre a boca, mas quem fala primeiro é Brisa, com sorriso irônico estampado no rosto, fitando Helena:

– Essazinha? Essazinha é você e eu quero saber por que você estava beijando o meu marido?

Novamente João ameaça falar algo. Mas Helena que responde, rindo ironicamente e olhando para cima brevemente para depois fixar os olhos em Brisa novamente:

– Seu marido? – risada sarcástica – Faça-me o favor! Ele é o meu marido!

(O sistema de som do aeroporto informa que os passageiros do vôo de João devem comparecer à sala de desembarque imediatamente. João sai, de fininho, de cena. Helena e Brisa continuam em cena trocando xingamentos e as duas saem no tapa).

Fim do ato

Rio da minha paz

Aquele longo rio que vejo
Derramando suavemente em ti
Traz calma, traz sorriso
E uma tristeza por fim
Tristeza de nunca alcançar
A mina desta água
Tristeza de me afogar
Sem mesmo ali navegar
É sim
É não
É talvez
É nuvem
É terra
É dúvida
Por enquanto, seguro tais águas
Firmemente nas minhas mãos
Seda suave, veludo amorenado
Loguíssimo curso amável
Meandros tão delicados
Quanto seu ruído de paz
Me acalama, me lavra’lma
Ao passo que me mata
É pluma
É bigorna
É picada
É o rio da minha paz
Longo riacho moreno que lhe cai sobre os ombros
E enternece meu coração