Não, não e não!

“Mais de 400 alunos já levaram multa por falar palavrão na escola. A punição incomum de cobrar R$ 0,10 a cada palavra feia emitida foi implantada pelo Colégio Evangélico Jaraguá, que fica em Jaraguá do Sul (SC) (a 220 Km de Florianópolis). A prática surgiu a partir da irritação de um professor de alemão com o linguajar dos alunos, e atingiu desde a 5ª série do ensino fundamental até o último ano do ensino médio.

O palavrão só é registrado quando está em contexto de ofensa ou constrangimento. Um inocente “bunda”, por exemplo, não conta. Entre os alunos, há até aqueles que acabam dedurando o colega boca-suja. Mas o que vale mesmo é a multa aplicada pelo professor e pela bibliotecária. A cada palavrão vai o aviso no caderninho.
Com o dinheiro arrecadado, foram comprados livros e materiais ilustrativos para aulas. “A escola é luterana e tem princípios cristãos. Devem existir punições, como a repreensão e a advertência. Como a multa tem esse tempero, os alunos ficam envolvidos, uns cobrando os outros. Ela está tendo sucesso. As espontaneidades que saltavam diminuíram muito”, afirma o diretor do colégio Leopoldo Fenner.
A medida já tem cerca de dois anos desde o início de sua aplicação. E, em todo o período de vigência, mais de R$ 40 foram arrecadados, segundo Fenner. No entanto, a implantação foi controversa.
“Nem todos os professores quiseram aderir ao processo de cobrança de multa. Nas reuniões pedagógicas, ficou acertado que outras punições podem servir para a cobrança da linguagem adequada. O professor de alemão e a bibliotecária é que levaram adiante a idéia”, conta.“.

Retirado do site Globo.com 07/08/2007

Espirrou? Vai ter que pagar!

– Atchim! – um espirro espalha-se no silêncio sepulcral da classe.

– Quem foi que espirrou?! – vociferou o professor – Hein, hein? Foi você Rodrigo? Não? Hum… então foi você, né Lucas?

– Mas, fessor… eu to gripado… – justificou-se o garoto

– Quero nem saber! 10 centavos! Agora! – bradou o professor

Lucas caminhou solenemente, cabisbaixo, com uma moedinha em uma das mãos até o cofrinho da turma. Despejou o dinheiro e voltou para o seu lugar acompanhado dos olhares de todos da sala. Natália levou as mãos à boca e logo foi repreendida:

– Acha engraçado, senhora Natália? – indagou o demoníaco professor

– Não, fessor! Tava só coçando a bochecha – respondeu em tom aflito a pequena menina

– Estava bocejando então que eu sei! 5 centavos!

A pobre levantou e fez a mesma coisa que o Lucas. Após depositar a moedinha, assentou-se.

A aula transcorreu sem interrompimentos, até o momento em que o André soltou um sonoro, claríssimo:

– M***!

A sala inteira se virou para o André. Ele lá, imóvel, mãos na cabeça, olhos esbugalhados, pálido. Parecia ter visto um fantasma. Mas ele esperava ver algo bem pior. Ia ver o diabo! Paralisou-se com o medo de se deparar com aquele olhar cortante, perfurador, feito ferrão de marimbondo do severo professor. Este permaneceu impávido, calmo, respiração leve e constante. O olhar não era aquele de bunda de vespa. Era olhar calmo, sereno, raro de ser encontrado naqueles olhos. Beirava a perplexidade.

Ficou aquele silêncio do silêncio. Aquele ensurdecedor. Talvez mais forte do que aquele barulho da falta de barulho, era a tensão, a apreensão da turma, especialmente a do André.

De repente, explodiu o sinal dando fim a aula e muito susto para todos. O professor ainda encarava o André de forma leve, mas não desgrudava o olho. Parecia estar em transe. Mais assustado que o garoto. Perplexo. Caiu em si, juntou seus livros e saiu da sala. Ninguém entendeu! Como assim ele não repreendeu o André? Ele gritou “m***”! Do nada…

Um grupinho de alunos, liderado pelo Lucas e pela Natália, foi reclamar (dedurar) do palavrão soltado pelo André no meio da aula. O diretor escutou as reclamações e decidiu chamar o garoto e o professor para terem uma conversinha na sua sala a respeito. Os dois obedeceram. O manda-chuva do colégio indagou ao estudante o por quê de ter berrado aquela expressão chula na aula do severíssimo educador:

– O Brasil perdeu a medalha de ouro no Pan, diretor!

– P*** m****! Sério? – assustou-se o diretor. O garoto e o professor assustaram-se mais

Os três se entreolharam por algum tempo. O professor deu sua palavra passado este momento mudo:

– Minha reação foi quase igual a sua, senhor diretor. Fiquei perplexo com isso. Como é que perde aquele ouro? Aquelas p**** cubanas! Não é possível! Elas não prestam pra nada! Nem pra rodar bolsinha em avenida central!

– É f***, viu – desabafou o diretor

E os três ficaram discutindo sobre a derrota brasileira no Pan. Enquanto que o Lucas estava depositando mais 10 centavos no cofrinho por ter espirrado novamente.

Anúncios

TrackBack Identifier URI