Pindoca

Pindoca

Você chega em casa após um dia estressante no trabalho. Abre a porta e tropeça nas correspondências. A maioria, claro, contas. Mas uma era sem remetente. Apenas estava inscrito “Para o Sr. Pindoca”. Pindoca? Você tenta resgatar na sua memória se já foi chamado de Pindoca. Não, nunca. Nem nunca conheceu algum Pindoca na sua vida. O máximo foi o palhaço Pipoca que, na festa de aniversário do seu filho, urinou num copinho e saiu oferecendo para o povo dizendo que era guaraná.

Você bate na porta do vizinho. Abre um sujeito de mais ou menos 2,03m de altura e o dobro de largura com cara de quem nunca gostou de ser chamado de Pindoca. Definitivamente, não era ele o Pindoca. Você vai até a portaria e pergunta pro porteiro quem que deixou a carta. Ele diz que não sabe, que chegou agora e que nem adianta perguntar para o outro porque, simplesmente, não há porteiro de dia.

Você sai batendo em todos apartamentos chamando pelo Pindoca. Mas que burro você é! Quem que com um apelido desses iria se identificar?

Você decide abrir a correspondência. Que o Pindoca o desculpasse. Está escrito:
”Caro Pindoca,

Adorei sua última carta e, pela sua descrição, me apaixonei perdidamente por você. E como você me pediu vou me descrever: sou loira, olhos azuis, pele clara, corpo parecido com o da Ana Paula Arósio. E tenho uma tatuagem num lugar que eu sei que você vai adorar.

Espero-te ansiosamente. Com amor,

Tutuia”

Você não tem a menor dúvida: quer ser o Pindoca!

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