Beleza pura!

Mas que beleza!

O Mário Sérgio chegou do trabalho exausto. Abriu a porta da casa, deixou o molho de chaves na mesinha da sala, cumprimentou a Tereza sem olhar pra cara dela – e ela o respondeu sem vê-lo também -, foi pra cozinha, abriu a geladeira, pegou a jarra de água, despejou o líquido num copo de requeijão vazio, voltou a jarra pra geladeira, afrouxou o nó da gravata, tirou os sapatos e colocou-os na área de serviços, beijou a Tereza – que foi na cozinha beber água, inclusive bebeu a água do copo dele, porque tava no intervalo da novela -, foi ao quarto, tirou a roupa, entrou no banheiro, tomou um banho de 5 minutos, secou e jogou a toalha molhada em cima da cama, vestindo o pijama gritou “querida! O que tem pro jantar?” – não teve resposta -, voltou pra cozinha perguntando no caminho pelo jantar de novo mas antes de terminar, fez uma nova pergunta: cadê a água?

– Que água? – retrucou Tereza sem tirar os olhos da novela

– O copo d’água que deixei aqui em cima da mesa, Tereza!

– Ah… Não vi querido – continuava sem olhar pra ele

– Estranho… Eu pus em cima da mesa, logo quando cheguei!

– Ah… Eu devo ter bebido no intervalo…

– Você o que? Bebeu o copo que estava em cima da mesa, Tereza?

– Bebi, ué… Desculpa.

– Tem certeza, Tereza?

– Tenho… deixa eu ver a novela Má!

– Aquele copo em cima da mesa, Tereza? Bebeu com certeza?

– Quer parar de rimar meu nome?

– Mas seu nome é uma beleza, Tereza!

– O jantar ta na mesa, Mário Sérgio! – ela já não via mais a novela

– Ah! O jantar está na mesa, Tereza? Que beleza!

– Por que você não foi beber cerveja com seus amigos?

– Ah! Quer que eu beba cerveja, Tereza? Prefiro suco de framboesa!

É. Esse casamento é uma beleza, Tereza!

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