Sorte e azar

Sabe aqueles filmes do tipo comédia-romântica bem água com açúcar? Sempre rola do carinha ou da mocinha ter um puta azar num dia, nada dá certo e tal, mas quando tudo podia ficar pior, ele(a) conhece o amor de sua vida.

Pois é. Hoje foi um dia (ok ok, ainda estou no meio da tarde, mas tende a continuar assim) que, apesar de não estar repleto de azar, teve um grandão. Mas antes de falar qual foi, tenho que explicar algumas coisinhas.

Tipo que eu tenho 2 possibilidades pra voltar da faculdade:

1) ônibus que vai “direto” pra casa. Bota aspas nesse direto. Ele para tipo a 5 quarteirões daqui de casa. Moleza. Mas, no meio desse caminho, 2 morros (e morro em BH é MORRO mesmo… tanto no sentido geográfico, quanto no sentido do verbo morrer… de cansaço ou preguiça) e uma favela. Misture tudo isso com sol quente na cabeça, um all star apertado e a fome.

2) ônibus que vai pro colégio. Aí você vira e pergunta: quê diabos você vai fazer no colégio? É perto da sua casa, ao menos?
Resposta: Não, não é perto de casa. Mas o que rola é que meu irmão ainda tá no colégio e minha mãe busca ele de carro. Mó folga. Daí que eu aproveito que ele sai 11:30h e aí dá preu pegar o busão quando saio da faculdade (11h, no máááááximoooo) e dá pra chegar lá e pá. A única coisa que tenho que fazer é dar uma ligada pra minha mãe avisando que eu vou voltar com ela.

Pois é. Tenho que ligar.

Aconteceu o seguinte. Saí e fui pro ponto esperar o ônibus, como todo santo dia. Calor dos infernos e pá. Passaram TODOS ônibus possíveis e impossíveis, mas os 2 que eu poderia pegar, nada. Quando foi 11:20, passa o que vai pro colégio. Fui nele mesmo. Entrei e liguei pra minha mãe pra avisar a ela que ia e tal, pra que ela me esperasse e pá. Mas, como era comigo, deveria acontecer alguma coisa, né. O celular tava sem sinal.

O que fazer??? Já tava dentro do ônibus, praticamente no colégio já e eram 11:40h… e nada de sinal!!!!!!!!! Desci e adivinhe.

Minha mãe já havia ido embora.

E não, não tem ônibus que vai pra minha casa (nem que fique a 5 quarteirões daqui) por lá. Tive que ir até a Savassi (um bairro que é quase o segundo centro de BH, pra quem não conhece). E detalhe que dá uns 20 minutos a pé lá do meu colégio. Debaixo de um sol filho-sem-mãe, all star apertado e camisa escura.

Ao chegar no último quarteirão, o anterior ao ponto, e com dois calos no calcanhar, um no dedinho do pé e um princípio de ensolação, eu só pensei: “só falta perder o ônibus”. E a desgraça passou na minha frente, não parou no ponto e foi embora.

Sentado no banco do ponto eu só esperava que acontecesse aquelas cenas de filmes de comédia-romântica. Eu todo fodido lá e aí apareceria uma Scarlett Johansson da vida e me chamaria pra ir ao cinema, tomaríamos açaí e seríamos felizes para sempre e pá. Acontece que nem quando tenho azar, tenho sorte. Só tenho mais azar. Sentou uma gorda nojenta ao meu lado, um pirralhinho de 10 anos e uma velhinha que cismou que eu era um tal de Daniel. Nada de Scarlett.

Mas, o dia não acabou, né. Mas eu não sou idiota e não vou acreditar que vou ter sorte. Vou cortar meu cabelo. Quer apostar quanto que o nego vai errar a mão?

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